01
dez
09

Julie & Julia – o filme

Em abril do ano passado eu estava indo pra SP dar uma aula. Pra variar, cheguei cedo demais no aeroporto e pra variar o vôo estava atrasado. Não estava a fim de ler nada do que tinha na minha mochila e resolvi passear na livraria. Dei de cara com essa capa vermelha convidativa: 524 receitas, 365 dias. Nem pensei duas vezes, comprei na hora.

Devorei o livro todo nas pontes aéreas daquela semana.

Lógico que o fato de ser um livro que envolvia culinária me fascinou. Ainda mais envolvendo a Julia Child, que era uma personagem e tanto! E aquelas receitas divinas, uhmmmm….

Mas não era só isso. Era o fato de eu me sentir tão perdida quanto, de achar que passei dos 30 sem ter conquistado nada (o que, eu sei, é um exagero de minha parte, mas o exagero faz parte de mim), e, principalmente, de achar que eu não tinha objetivos de vida. Na verdade tenho muitos, mas quero/gosto de muitas coisas, e começo vários projetos e atividades ao mesmo tempo, o que faz com que terminá-los ou dar continuidade a eles seja muito difícil. Algum psiquiatra deve explicar. Mas por enquanto ainda tenho medo de ouvir as razões para que o meu cérebro seja tão confuso. O fato é que eu já havia tentado fazer algo semelhante (projeto doido + deadline) e não havia conseguido cumprir, talvez porque não tenha ficado suficientemente obcecada por ele. Mas saber que há alguém tão confusa quanto eu e que consegue ir até o fim em algo é reconfortante e enche de esperança. rs

A história é fascinante e divertidíssima, e vocês podem ler aqui o que eu escrevi na época.

No sábado fui ver o filme, baseado neste livro e no que conta a vida da Julia Child em Paris (Minha vida na França, que eu ainda preciso comprar). Eu preciso mesmo dizer que eu ADOREI? Achei perfeita a forma como uniram a vida de ambas. As cenas em que a Julie cozinha são tão divertidas quanto no livro, a vida da Julia é fascinante, assim como conhecer a história do livro de receitas que se tornou o mais famoso dos EUA e dos mais famosos do mundo. A trilha sonora é perfeita, Maryl Streep é perfeita, Amy Adams é uma fofa. Desossar um pato parece a coisa mais simples do mundo.

Acho uma pena que a Julia nunca tenha aceitado conhecer a Julie. Mas dizem que ela era mesmo um pouco turrona.

O box com os dois volumes de Mastering the Art of French Cooking está custando só 49 dólares na Amazon. Ah, se eu não estivesse tão descapitalizada…

Saí do cinema com uma vontade LOUCA de cozinhar. Ao invés disso, fomos jantar no Le Blé Noir. Era francês, tava valendo.

Falta muito pra sair o DVD? Quero ver mais!

13
out
09

Mulheres complexas, homens simples

shrek fionaJá repararam como são felizes os casais formados por mulheres e homens típicos? É assim que nem papai-e-mamãe: não tem erro! Pode parecer sem graça, cafona, mas funciona que é uma beleza.

Tipicamente é assim: mulheres são complexas, homens são simples.

Mulheres típicas procuram o homem perfeito, mesmo sabendo que eles não têm nada disso (e que se ele existir vai ser um chato de galochas). Elas querem um homem que seja no mínimo apresentável (não precisa ser liiiiindo), simpático, que goste das suas amigas, que seja companheiro, que divida as tarefas domésticas sem ela precisar implorar, que entenda que ela é um monstro assassino durante alguns dias no mês, que goste de comédia romântica, que queira casar (não necessariamente no papel), que queira ter filhos, que ajude a escolher os móveis, que goste de sexo (e seja bom de cama), que repare se ela cortou o cabelo ou comprou uma lingerie nova (e que queira tirá-la o mais rápido possível), que passeie com o cachorro, que goste de jantares e viagens românticas, que faça planos… A gente sabe que esse homem não existe, mas a gente percebe quando os homens, seres que devem ser simples, se esforçam pra pelo menos fingir que são tudo isso. E a gente gosta e finge que acredita.

Os homens típicos são bem mais simples. Eles querem apenas que não encham o saco deles, querem poder tomar chope com os amigos, ver futebol na TV, alguns querem jogar vídeo-game, e todos querem muito sexo. Por essas coisas eles se submetem a afazeres domésticos, passeios no shopping, encontro com as amigas, comédia romântica, jantares fofinhos, e até presentes. Tudo muito simples. Eles sabem disso, as mulheres complexas também. Estabelecem um sistema de trocas que não tem erro: todo mundo ganha. Assim, a gente finge que eles são os príncipes com os quais a gente sempre sonhou (Shrek não virou rei?), e melhor: a gente faz com que eles acreditem que são mesmo isso tudo.

A gente reclama porque faz parte do ciclo hormonal e da genética, mas é disso que a gente gosta. Homens simples, previsíveis, decifráveis em cinco minutos. Os homens complexos são bons pra paquerar, desejar, casinhos rápidos, mas são indigestos em longo prazo. As mulheres que gostam de complexidade (além da própria) casam com… outras mulheres! Mulher típica não tem paciência para a complexidade masculina, porque homens complexos parecem mulheres (e mulheres são as maiores críticas de outras mulheres, todos sabem disso). A vida de uma mulher e um homem complexo não tem chance de “felizes para sempre”. Eles não conseguem atender às expectativas um do outro. Ambos se frustram. As mulheres complexas esperam que os homens complexos ajam como homens simples, e os homens complexos esperam que as mulheres complexas ajam como mulherem simples. Jogo dos erros: mulheres simples NÃO EXISTEM! Não tem como dar certo!

Não queremos o chatérrimo príncipe da Branca de Neve (vocês já viram isso em post anterior) mas também não queremos o Brutus. As Fionas que existem em nós amam os Shreks que estão por aí: simples e previsíveis.

Mas a gente vai negar isso até a morte!

27
set
09

O homem-esquilo

Cuidado com a espécie: basta um movimento abrupto e ela corre para toca e desaparece para sempre

Cuidado com a espécie: basta um movimento abrupto e ela corre para toca e desaparece para sempre

Foi a Camila Pohlmann quem me chamou a atenção para este tipo de rapaz perigosíssimo: fofinho e esperto, o homem-esquilo impressiona pela simpatia, o bom gosto, o paladar refinado, a sociabilidade.  Mas esquilos, a gente sabe, se assustam com qualquer movimento brusco. Dar um passo adiante é fatal: eles saem correndo para se esconder e você fica ali, sozinha, no meio da floresta. Corra deles antes que eles corram de você.

Fiz o maternal e o primeiro jardim de infância em um colégio chamado Esquilinho Amigo. Uma instituição que tinha uniformes lindos (uns aventais xadrez bem fofos) e cujo nome é hoje um ensinamento para mim. Sim, minha gente: com esquilinho, só mesmo amizade. E, como amigo, é bom que se diga, os homens-esquilo são demais.

Continue lendo ‘O homem-esquilo’

19
set
09

No País das Maravilhas

Alice_drinkExistem milhares de leituras para “Alice no País das Maravilhas”, conjcturas sobre Lewis Carroll e sua predileção por meninas muito novas, apologia a drogas e por aí vai num mar de interpretações psicoanalíticas. Com certeza ela é o personagem fictício que mais me facina desde muito novinha, quando comecei a me interessar por “estórias de princesas”. Confesso que sempre achei Branca de Neve chata e a Bela Adormecida burra, porque chega num ponto que teimosia vira burrice.

Lembro de pensar, “Por que a Branca de Neve fugia daquele castelo incrível, se ele era dela?” Ah! Colocava a mocréia invejosa da madrasta pra correr e convidava o príncipe pra morar lá.  E A Bela Adormecida então, melhor nem começar… Por isso Alice.

Alice era divertida, curiosa. Caiu num lugar esquisito, completamente diferente do mundo dela e soube aproveitar. Tudo porque estava um dia no seu canto morrendo de tédio, quando viu um coelho branco passar correndo dizendo que estava com pressa. Claro que, como qualquer pessoa antenada, logo achou que ele devia estar indo pra algum lugar muito interessante e o seguiu. Caiu no País das Maravilhas e descobriu que ali era bem legal.

A comida e a bebida davam barato. O pessoal era divertido e acabou fazendo amizades interesantes, como um chapeleiro maluco e uma lagarta doidona. Conheceu um pessoal meio sem noção também, como um gato que ficava pertubando e uma rainha maluca que tinha mania de cortar cabeças. Porque toda pessoa interessante chama atenção e sempre surgem uns ‘sem noção’ pra tentar acabar com a festa.

Mas Alice aproveitou ao máximo e sem um príncipe mala no pé. Encontrou alguns problemas pelo caminho, mas resolveu todos sozinha e com muita classe. Aí é que Alice se torna a mais humana de todas as princesas. Ela acaba se metendo em algumas enrascadas, mas quem nunca foi como ela que atire a primeira pedra. Afinal para poder viver uma vida bacana é preciso experimentar, correr atrás, tropeçar, se aborrecer, mas no fim acaba sendo uma experiência maravilhosa.

Tenho certeza que Alice quando voltou pra casa depois de tudo, olhou pra trás e não se arrependeu de nada. Porque em todos os momentos de apuro ela se meteu sozinha, mas também saiu sozinha. Claro que alguns momentos os amigos ajudaram. Agora, também, qual a graça de viver uma experiência incrível e não ter nenhum amigo por perto?

Alice, ali logo do lado da Cinderela, é a princesa descolada, que quer se divertir e conhecer pessoas e lugares incríveis. Se no fim das contas ainda aparecer um príncipe (como aparece em “Alice Através do Espelho”) é mais um bônus que a gente aceita de bom grado 😉

Não é de admirar que a moça virou filme do descoladérrimo Tim Burton.

17
set
09

Para sempre Cinderela

A mesa no Santa Fé comentada aí embaixo, em nosso post inaugural, começou com as princesas no carnaval.  Eu verbalizei para as meninas meu desconforto com a quantidade de balzaquianas – nítidas balzaquianas, vejam bem – que se vestiam de Branca de Neve e de Sininho nos blocos de rua do Rio de Janeiro.

branca de neveOk, ok, quem tem vocação para Hermano Vianna e Roberto Da Matta não precisa explicar a antropologia  e a história da folia. Tô sabendo que o carnaval é a festa de inversão, em que homens viram mulher, mendigos podem ser reis e o ricaço da Vieira Souto veste as sandálias havaianas da humildade. Mas… pera lá: Branca de Neve?

Nossa princesa, envenenada por sua própria beleza, punida por sua feminilidade, a maçã de Eva entalada na garganta, estava teoricamente mortinha da Silva quando o príncipe a encontra num caixão de cristal, no meio do bosque, observada em seu velório pelos 7 anões arrasados e pelos bichinhos da floresta, seus coadjuvantes no número musical da Disney… “Someday my prince will come”. Branca de Neve não faz nadica de nada para a chegada deste príncipe. Quando ele finalmente a encontra, ela está inerte. Nunca é demais lembrar: ele não sabe da maçã. Portanto, beija uma morta, dentro do caixão, e não sua futura esposa.

Então, minha gente, qual é a mensagem que estas balzacas da folia estão mandando ao virar Branca de Neve? Prefiro deixar a bola com vocês, mas digo que Branca de Neve, para mim, é a submissão total.


Continue lendo ‘Para sempre Cinderela’

16
set
09

Hein?


frogPrincesa é uma ova?  Hein? Como assim? Era uma vez quatro amigas – Bárbara Pereira, Daniela Name, Flávia Rocha e Raphaela Ximenes – que um dia se reuniram para falar da própria vida e um pouquinho da vida alheia. Na mesa do restaurante Santa Fé, na Glória, a boa carta de vinho da casa funcionou como poção da fada madrinha e foi revelando príncipes que eram sapos, bruxas meméias e um sem-número de madrastas e vilões que a vida vai botando no caminho de qualquer mulher.

Chegamos então nas princesas de verdade, aquelas mesmo, da nossa infância, como vocês vão ver no próximo post. À medida em que elas entravam na roda, víamos que não ficávamos mais tão confortáveis com sua presença ali na mesa. Toda menina quer ser princesa, mas quando cresce e se vê diante de uma delas pode achar que a moça jamais poderia ser sua amiga.

Eu, Bárbara, Flá e Rapha fomos pensando que Aurora e Branca de Neve talvez não fossem chamadas  para uma festinha íntima. Foi um pouco angustiante nos despedirmos daquelas companhias que vinham quase desde o berço, mas também libertador. Veio daí nossa decisão: nós, que já tínhamos lido os blogs umas das outras, dividido taças de espumante, ido juntas ao banheiro e compartilhado o mesmo gloss… agora queríamos fazer isso com mais gente, numa espécie de mesa de bar comandada pela Luluzinha.

Princesa é uma ova, o blog, vai ser como aquela “apuração” feita para a amiga, um vestido emprestado porque o seu manchou, um bolo de chocolate naqueles dias, uma chuveirada com roupa e tudo na hora da ressaca, um pito nos momentos de melodrama, uma bolsa de água quente e um black out na janela, por favor… porque há dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Ah, sim, não é um blog para falar mal de meninos.  Gostamos muito dos Bolinhas e Cebolinhas, embora às vezes precisemos consultar o manual de instrução (nos casos mais graves, acessamos a “memória do caso”).

Vamos começar logo esta história, tentando passar ao largo dos chiliques e da apatia de algumas princesas. Mas sempre no salto, certas de que o “felizes para sempre” pode vir homeopaticamente, linha a linha.




Bárbara Pereira, Daniela Name, Flávia Rocha e Raphaela Ximenes

julho 2017
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